Vida

MÚSICA DO (MEU) ANO: ZAZ – QUÉ VENDRÁ

By on 14 de outubro de 2018

“Se eu me perco é porque já me encontrei e sei que devo continuar”

 

QUE POESIA!!!!!

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Vida

FILMES FAVORITOS: BIG FISH | PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS

By on 13 de outubro de 2018

Não consigo mesmo recordar qual foi a primeira vez que assisti ‘Big Fish’… se eu já estava em São Paulo ou se ainda em Belém prestes a vir pra cá. A única coisa que lembro é que foi o único filme que deixou Renan com os olhos cheios d’água e que é nosso filme favorito da vida.

Hoje nós decidimos assistí-lo novamente e, posso afirmar, sem dúvidas, é o meu filme favorito da vida. Edward Bloom é meu herói e, novamente, ele me dá o choque de realidade, ambição, otimismo, motivação e coragem para persistir naquilo que amamos de verdade e fazer com que a nossa vida seja mais maravilhosa.

Big Fish é um filme de 2003, dirigido pelo gênio Tim Burton, que nos apresenta uma obra prima cheia de luz, otimismo, encantamento, simbolismo, inteligência e metáforas sobre a nossa vida através da vida de Edward Bloom, personagem principal dessa história. Ed é conhecido por ser um grande contador das suas histórias, sempre fazendo com que todas elas sejam ainda mais extraordinárias quando contadas para o seu pequeno filho Will. Mas quando o garotinho cresce percebe que elas eram um pouco irreais e que não faziam muito sentido… como Ed era um cara que passava muito tempo fora de casa, Will vai crescendo e achando que o próprio pai poderia ter tido outras relações fora do seu casamento, então ele começa a ser dominado pelo desejo de conhecer a verdade sobre seu pai, tentando convencer Edward a contar a verdade. Mas ele defende suas histórias, afinal, tem orgulho delas, e jamais ele mudaria isso, nem mesmo pelo filho.

Eu não quero dar muitos detalhes sobre o filme (apesar de dar spoilers) mas estou escrevendo sobre os sentimentos que ele desperta em mim e passou a despertar agora.

Na primeira vez que o assisti a mensagem que tive foi de seguir meus objetivos e enfrentá-los sem medo, com muita coragem, mas hoje, acredito que após 4 anos, a mensagem que ele me revela é: eu caí no Spectre, simbolismo presente no filme através de uma cidade que caracteriza nossa zona de conforto. E Edward cai duas vezes em ambientes muito confortáveis, amigáveis e que ele poderia ter ficado lá tranquilamente, mas ele muda o jogo, ele muda sua história porque, afinal, Ed é um peixe grande, e peixes grandes não podem estar presos num aquário.

O início do filme mostra Edward criança, e para mim o começo marca todo o despertar das suas histórias. Ed descobre através do olho de cristal de uma bruxa como irá morrer (o que ele vê no olho nós ficamos sabendo apenas no final), mas, ao invés de ser consumido pelo medo, ele enfrenta, aceita seu destino e diz a si mesmo “eu não vou morrer assim!”, então começa a superar todos os obstáculos que aparecem no seu caminho. Me pergunto se nós, caso soubéssemos como iríamos morrer, nós nos acomodaríamos ao medo ou seríamos mais ambiciosos e corajosos? Não faríamos com que a nossa vida tivesse mais momentos extraordinários, com mais aventuras porque estaríamos dispostos a viver isso, a buscar novas experiências e lutar pelo que amamos de verdade?  Afinal, nós iríamos sobreviver às situações mais difíceis já que saberíamos como seria nossa morte.

Edward nasce na cidade de ‘Ashton’ e ela é como seu aquário, um lugar pequeno e limitado para alguém com grandes sonhos. Nela ele poderia ter conquistado grandes coisas dentro do seu próprio espaço, já que era muito querido por todos. Ali é somente sua primeira zona de conforto, o lugar do conformismo, onde nos sentimos seguros, é o nosso lar e eu bem sei como é difícil sair, assim como sei bem o quanto é difícil viver num ambiente onde nossas aprendizagens são limitadas, onde não estamos conformados e queremos mais. Então surge um gigante que está aterrorizando sua cidade e que o faz enxergar que ele não tem culpa de estar ali por ser grande, mas que a cidade talvez seja muito pequena para ele. Então ele decidi partir com o gigante para enfrentar o desconhecido fora da zona de conforto.

Edward saiu da sua zona de conforto e foi parar num lugar chamado Spectre, e ele chegou lá por ter cortado o caminho, foi mais longo e mais escuro e ele enfrentou alguns obstáculos, mas cortar o caminho o fez entrar em um novo espaço que não era o que ele queria. Ed ainda não tinha muitos objetivos, ele não tinha um rumo, apenas era um cara inquieto com vontade de viver aventuras, e ele sabia que não era naquele lugar que sua história acabaria ou talvez ele soubesse e não aceitava aquilo, então ele sai desse lugar, daquilo que é uma zona de conforto.  Só que vai ser preciso sair sem seus sapatos, e acredito que o símbolo do sapato, de estar calçado gera muito mais o conforto do que estar descalço como vivem as pessoas em spectre. Elas estão descalças mas estão acomodadas. Quando estamos ‘calçados’ nos sentimos mais confiantes (e confortáveis)  para enfrentar dias difíceis, e sem sapatos, como faríamos? Será que iríamos descalços? Eu amo as frases que saem do Ed nesse momento:

“Como você vai sair sem seus sapatos?”

Edward Bloom: Eu aposto que vai doer e muito, mas, infelizmente, adeus!

“Aposto que não irá achar um lugar melhor!”

Edward Bloom: Mas eu não desejo isso.

No decorrer da história, Edward Bloom encontra algo, ou melhor, alguém pelo que vale a pena lutar, o seu amor verdadeiro: Sandra. Essa mulher para mim representa nossos objetivos, representa as coisas que amamos de verdade e que fazem sentido para nossas vidas. É o que nos completa, e pode ser uma pessoa, o seu trabalho, enfim, a sua maior conquista. E, para Ed, ela será sua maior conquista. Então ele faz de tudo para conquistar o amor de Sandra, que já está noiva de outro cara, e ele enfrenta esse obstáculo, ele vai fundo no seu objetivo até alcançá-lo, inclusive, começa a trabalhar sem receber dinheiro algum por isso, sua maior recompensa é receber informações sobre Sandra.

“Agora eu posso não ter muito, mas tenho mais determinação do que qualquer um que você provavelmente conhecerá.”

Edward Bloom

Essa história me fez refletir tanto, tanto mais agora…inclusive até pelo próprio sobrenome do personagem, Bloom, que significa flor/florescer, e ele é como as flores: nasce, alcança seu máximo esplendor e murchará. E todos nós podemos ser como flor. Assim como Ed, eu saí da minha primeira zona, do lugar que nasci, mas naquele lugar foi onde encontrei meu amor verdadeiro ou seja, a minha real profissão, o meu trabalho, aquilo pelo qual sou apaixonada, conquistei o meu espaço mas encontrei obstáculos, e não quis mais lutar por esse amor porque tive medo… simplesmente, eu deixei meu amor pra trás e fui parar no ‘spectre’, em um novo lugar, onde acabei fazendo desse lugar meu aquário e, consequentemente, uma nova zona de conforto, justamente porque cheguei nesse novo ambiente sem aquilo que fazia sentido para mim lutar.

Então busquei nesse meu spectre conquistar amores… e é como se eu tivesse entrado num novo relacionamento mas, no final de tudo, não faz sentido algum porque não tenho energias para lutar por ele, porque já encontrei a minha própria Sandra. O que me faz sentir uma energia tão grande agora para buscá-la, lutar por ela novamente e enfrentar todos os obstáculos porque tenho certeza do meu amor verdadeiro. Acho que fiz um pouco do inverso da vida de Ed… ao contrário de mim, ele viveu aventuras antes sem rumo e depois encontrou seu amor para viver aventuras cheias de objetivos ao lado dela, eu encontrei meu amor, e o deixei para poder viver novas histórias, ao invés de escrever novas histórias com esse amor verdadeiro e enfrentar todos os obstáculos, mesmo com dor e mesmo que eu não tivesse sapatos. O que me fez perder o rumo.

Gosto muito da mensagem que Renan, meu noivo, tem sobre o filme, que é de você estar lutando pelos seus objetivos e enfrentar os obstáculos sempre de forma otimista, sempre enxergando o lado bom e não focando no que é ruim porque é preciso enfrentar o mal para seguir em frente com aquilo que nos faz bem. O que me faz enxergar a questão do Edward sempre contar as histórias de maneira mais aumentada para o Will criança, com bruxas, gigantes…para tornar tudo mais lúdico, divertido e maravilhoso. Como que a gente vai dizer para uma criança que algumas pessoas que cruzam nosso caminho não são tão boas quanto parecem? Esse jeito aventureiro torna as histórias mais interessantes e cativantes ao olhar de uma criança.

“A maioria dos homens, eles vão te contar uma história diretamente. Não será complicado, mas também não será interessante.”

Edward Bloom

Me sinto tão leve escrevendo isso agora porque nas últimas semanas encontrei em mim mesma, na Natália de 20 anos de idade, cheia de energia, sonhos e objetivos a resposta que precisava para a Natália aos 31  e, hoje, assistindo Big Fish, só tenho a certeza que eu preciso o quanto antes lutar pela minha própria Sandra para sair de uma vez por todos do aquário que criei para mim mesma dentro de um spectre. Peixes grandes não podem viver em aquários. :)

 

“Você já ouviu uma piada tantas vezes que você esqueceu por que é engraçado? E então você o ouve novamente e, de repente, é novo. Você lembra por que você adorou, em primeiro lugar.”
Will Bloom

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