Vida

RAÍZES

16 de agosto de 2017
Foto tirada pelo meu sobrinho de sete anos.
Foto tirada pelo meu sobrinho de sete anos.

Devo agradecer aos meus pais pela relação que hoje tenho com as plantas. Nasci e cresci em Belém do Pará e, até meus 15 anos de idade, morávamos num apartamento de 32 metros quadrados onde nunca havíamos tido uma varanda. Meus pais não cultivavam plantas naquela época, mas eles nasceram e foram criados em outra cidade que fica no Pará, chamada Santarém. A infância deles foi vivida no interior, com direito a banho no rio, subidas em árvores para apanhar frutas, mães costureiras, pescar para comer, aprender a construir seus próprios brinquedos, batalhar desde cedo para conseguir estudar e poder mudar suas vidas. Acredito que você já tenho escutado muitas histórias como essa porque ela faz parte da geração dos nossos avós e de muitos pais.

Senti vontade de escrever sobre isto porque eles sempre fizeram e continuam fazendo questão de me contar sobre suas histórias, para cada vez poder olhar e sentir o tanto de orgulho que tem das suas raízes. O que me fez ter uma infância e adolescência com todo o lado divertido que eles viveram: de contato com a terra, com a natureza, tomar banho de rio, caminhar descalço, tomar banho de chuva por vontade própria, comer fruta do pé (manga som sal haha), correr de medo das galinhas no sítio, ter contato com pessoas simples e tratar todas as pessoas da melhor forma, com igualdade. Ter fé muita fé, viajar de barco, ir à praia e afundar os pés na areia, e comer de tudo haha. Meu pai é louco por barcos e eles não dispensam um peixe assado haha! Com 10 anos de idade até os quinze, minhas férias sempre eram para Santarém, e amava de um jeito que lembro com alegria todos os dias. Eram as melhores férias do mundo para mim! Quando eles não podiam ir comigo, eu ia sozinha com meus tios. Hoje meu pai repete esses momentos com meu sobrinho de sete anos, e tenho certeza que ele jamais vai esquecer do que está vivendo agora.

A essência e presença dos meus pais reflete na pessoa que me tornei e na maneira de enxergar o mundo com olhar de encantamento, de um jeito leve e simples, e isso ficou muito mais evidente após sair de casa com 27 anos. Pois ainda tive muito o que aprender e valorizar durante a adolescência, ter essa base foi muito importante para encarar a mudança para uma cidade tão grande.

Estou bem perto de completar meus 30 anos de idade, continuo aprendendo e valorizando sempre mais cada retorno para o lar dos meus pais, uma casa construída há 15 anos por eles, onde podem cultivar as plantas que desejarem. Aprendi com eles o valor da simplicidade, sobre sonhos, aprendi a imaginar e criar! Quando perguntam sobre o que me inspira, eu nunca poderia dizer o nome de outra pessoa com uma história da qual eu não tenha vivido porque tudo começou na história de vida dos meus pais e na forma que tiveram para me mostrar o quanto a natureza é transformadora, onde a vida é muito mais do que vivíamos na capital e num apartamento de 32 metros quadrados, sem mesmo nunca conhecermos a Europa, e pode ser que isso nunca aconteça, mas estaremos felizes.

Aprendi que a vida é sobre o que ouvimos muito nos dias de hoje, sobre ser. É e sempre será sobre não ter a melhor roupa ou melhor celular, mas sobre ser o melhor que pudermos nessa caminhada. É sobre aprender com a natureza o poder das nossas raízes e não deixar de resgatar as melhores lembranças para sempre estarmos dispostos a florescer melhores.

Um texto para nunca esquecer de regar minhas raízes.

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