Vida

REDES SOCIAIS / INSTAGRAM / LIKES / CRIAÇÃO

27 de fevereiro de 2018

Fiz stories no Instagram comentando meu ponto de vista sobre as mudanças na rede social, toda essa importância com likes e sobre criação. Tive uma conversa muito bacana com alguns dos meus seguidores e, como teve gente dizendo que deu print e pediu para colocar as stories em destaque no feed, resolvi transcrever pra cá, acrescentando algumas coisinhas mais e opinião de três seguidoras.

Eu tenho 30 anos de idade e comecei a utilizar ativamente internet e me expor nela aos 16/17 anos, o  Fotolog.Terra foi minha primeira rede social. Ele era meu diário virtual onde compartilhava fotos minhas, de amigos, coisas que gostava e escrevia sempre sobre como tinha sido meu dia no colégio haha mas não me importava com números aliás, no meu convívio adolescente nunca tiveram essas questões atuais sobre “quantas pessoas visualizaram, quantas comentaram, o feed perfeito” porque estávamos ali apenas para nos expressarmos, nos divertirmos e conhecer pessoas da nossa cidade/colégio. A relação de estar presente na vida dessas pessoas, ir na casa da amiga, telefonar pra ela e até escrever cartinha era muito mais especial do que uma relação virtual. Queríamos estar na rede apenas porque “todas” as pessoas estavam haha e nós seguimos moda, né?! Eu e meus amigos não víamos como um negócio, talvez por conta da cidade que nasci e cresci (Belém do Pará), ninguém ali sonhava em ser “famoso” com blog, fotolog…. eu achava que terminaria uma faculdade e arrumaria um emprego normal, sabe. Queria ser Arquiteta, depois Jornalista, depois Publicitária, isso nunca ficou muito bem definido na minha cabeça naquela época, mas eu sempre senti que poderia ter um trabalho “diferente e divertido”, só não sabia como fazer isso já que talento para ter uma banda de rock, infelizmente, não deu haha. Bem sei que essa relação com as redes sociais para outras pessoas é diferente, tanto que temos a blogueira Lia Camargo, que possui blog desde 2000 (eu tinha 13 anos e não tinha nem computador haha) e fez disso o seu trabalho e faz até hoje. E é incrível! Ela e a Bruna Vieira (Depois dos Quinze) inspiram milhares de pessoas que querem começar um blog e, aquelas que como eu, apenas querem viver fazendo o que amam. Nós estamos acostumados a olhar o resultado dos outros, mas não conhecer a história daquele resultado e isso é que deve ser levado em conta. Você já viu as primeiras fotos do meu feed? Sempre que admiro o trabalho de um artista eu vou até a primeira foto do seu Instagram ou site porque sei que lá encontrarei sua história, e pra escrever uma história leva-se tempo. E pra cada conquista: tempo.

Just Lia por @liacamargo https://www.justlia.com.br/

Voltando… Depois comecei a utilizar Fotolog.Com, Orkut, Myspace, Msn, Flickr, Facebook e Instagram. O que ainda não contei é que internet de verdade,  quando meus pais colocaram mesmo em casa, eu já estava perto de fazer 18 anos hahaha, antes disso ia com minhas amigas para Cyber e, até mesmo depois de ter internet continuei indo para o cyber porque além de ter uma internet muito lenta (hahaha), eu não tinha mais paciência para brigar com meu irmão mais novo por causa de computador. E lembro bem dos dias com elas, depois das aulas (no Segundo e Terceiro Ano do Ensino Médio) frequentando cyber para atualizar nosso Fotolog. haha Gente, eu não tinha nem câmera digital :x um amigo meu, o Anderson, me emprestava sua câmera, e eu fazia zilhões de fotos durante a semana para ir atualizando o fotolog. Sabe o mais louco disso tudo, tem pessoas dessa época, de outras cidades, que me seguem até hoje nas redes sociais! E o que quero dizer com isso é: se você fidelizou um público, se o que você faz toca o coração do outro de verdade, ele vai te seguir, ele vai curtir, ele vai atrás independente da plataforma que você estiver! E vice-versa! Eu sigo pessoas que admiro muito desde aquela época. Quando não fizer mais sentido para nós, deixamos de seguir, simples. É aí que tá quando perdemos os tais seguidores no Instagram, se hoje você perdeu 10, 100, 1.000 seguidores não é o Instagram que está tirando, isso se você não é aquele que paga pra ter números porque o maior vacilo que você vai dar é comprar números, não é gente real que curte teu trabalho de verdade seguindo e isso é péssimo! Todo mundo é capaz de conseguir por seus próprios méritos o SEU público e conquistas! Se nós que não praticamos esse vacilo estamos perdendo seguidores é porque eles já não estão mais interessados no nosso conteúdo. SIMPLES! Nós perdemos o interesse por tantas coisas, até mesmo pelo próprio Instagram. Se você que me segue decidir sair do aplicativo hoje, eu terei perdido um seguidor. PRONTO! Se você não concordar com nada do que escrevi aqui e quiser deixar de me seguir, vai ser um direito seu e pronto. Assim como posso ganhar um seguidor justamente por causa deste texto. É assim que funciona. : )

@nataliavianaflor

Quero deixar claro que não trabalho no Instagram haha mas sou usuária ativa da rede social desde 2011, época em que as pessoas aqui no Brasil estavam se acostumando com o aplicativo. Mas tive meu perfil sugerido pelo aplicativo duas vezes (o que fez com que mais pessoas pudessem conhecer o que estava criando), uma das minhas fotos já foi publicada junto com outros criadores no Instagram mundial, já concedi duas entrevistas para o @instagrambrasil, além de ter várias outras fotos minhas publicadas no perfil, recebi brindes do Instagram, fui chamada para eventos da rede social (graças ao Instagram eu pude ir ao São Paulo Fashion Week e isso significou muito para mim) e fui convidada para conhecer o escritório do Facebook no Brasil por causa deles. Então, sim, me sinto no direito de comentar sobre todas as mudanças que aconteceram na rede, principalmente porque tenho um carinho enorme por ela e pelo o que se tornou nos últimos anos, e eu acredito que esse mérito vai para todos aqueles que viram na plataforma um meio de compartilhar suas ideias e propósitos. Esses momentos não vieram de graça e a toa para mim porque eu estava investindo tempo, energia e dinheiro para produzir cada foto. Minhas flores não saíram de graça e, muito menos, a internet que utilizamos para publicar nosso conteúdo haha ou vocês acham que pagamos a NET em troca de likes? Por isso acho muito injusto quando alguém diz: “Agora o Instagram quer que a gente pague para mostrar nosso conteúdo, faça post patrocinado.” é lóóógico!!! O Instagram é um negócio. Como você acha que negócios sobrevivem? Se tem gente utilizando a plataforma para fazer dinheiro, nada mais justo do que o mesmo cobrar por isso. ; )

Dezembro, 2014.

E toda essa relação com o Instagram só aconteceu porque em 2013/2014, quando parei total com minha marca e precisava da minha válvula de escape que é a fotografia, passei a publicar na rede social as fotos que já postava no meu Flickr, depois fui me expressando ativamente através da natureza e o feed foi ficando mais artístico. Quando mudei para São Paulo, tudo o que tinha era minha vontade de criar, de me expressar e, então, eu não parei. Produzia fotos a noite, de madrugada e quase todos os dias. Publicava duas vezes ao dia e todos os dias! Com todas as mudanças que ocorreram na minha vida naquela época tudo o que mais queria era estar me expressando artisticamente. Já expliquei minha relação com as flores e como isso tudo rolou para mim neste post aqui, então não vou repetir neste texto.

No início: pessoas compartilhando fotos do momento  e seguindo seus amigos ou conhecidos reais. Minha primeira foto no Instagram foi de uma sapatilha que usava muito em 2011, e a foto continua lá haha. As fotos eram bem aleatórias e editadas com aqueles primeiros filtros que todo mundo achava um máximo! Minhas fotos não batiam nem 10 curtidas hahaha e, vejam só, sobrevivi! (haha) Não era importante, o importante para mim sempre foi, apenas, compartilhar. Isso pra todas as redes que utilizei. Já publiquei 3.614 fotos durante todo meu período de Instagram e não tirei nenhuma porque nele está registrado um pouco da minha história, de quem eu era naquele momento. E isso que é incrível na arte.

Mas aí teve uma hora que percebi e muitos perceberam porque somos influenciados de alguma forma, toda a força do Instagram, porque ele já tinha ganhado o mundo e como o aplicativo poderia ser muito útil para compartilharmos ideias mais consistentes, nossas criações. Independente da ferramenta que você utiliza para se expressar. Então, com isso, eu e mais um montão de gente começou a mostrar seus trabalhos e ideias na rede.

Um pouco do meu feed. Ainda morando com meus pais, em Belém.
Minhas fotografias depois que mudei para São Paulo, eu estava descobrindo a cidade e me redescobrindo.

Mas o que eu quero te dizer é: pra cada conquista da vida de qualquer um tem uma história, tem uma jornada e muita vontade! É um processo tão lento que muitos sabem e outros nem imaginam! Os resultados vão depender do tamanho da sua persistência, insistência e do quanto você acredita naquilo que cria. Você tem que acreditar em você. Esta é a frase mais real da vida! Muitas vezes eu também tenho que lembrar disso porque todos nós temos fraquezas. Tem que estudar, ler, buscar conhecimento sobre aquilo que você quer trabalhar e sobre como gerenciar seu negócio. Então, se hoje você não está tendo o engajamento que gostaria porque agora o Instagram só entrega sua publicação para 10% do seu público, nada vai adiantar mudar para outra rede social e repetir o mesmo erro. Você está interessado em fidelizar um público/clientes ou quanto mais likes melhor? Porque likes não significam que você venderá seu produto! Like não é garantia de dinheiro! Se seu engajamento diminuiu é porque provavelmente você não deve estar produzindo algo relevante para a rede social, mesmo que esteja produzindo algo muito incrível é uma batalha diária para conseguir público nela e, principalmente, no mundo aí fora. Nós precisamos de pessoas de verdade consumindo e fiéis ao nosso trabalho. Quantas pessoas na sua cidade conhecem o que você está criando? Esses números sim são muito mais importantes porque eles é que vão sustentar o seu negócio no futuro. Se o Instagram acabasse hoje você estaria despreocupado porque já fidelizou seus clientes, né? Eles já sabem onde te procurar, então tá tudo bem porque você tem uma rede muito mais forte que um aplicativo. Ou você ficaria no time dos desesperados? Reveja! 10 pessoas que estão pagando pelo seu trabalho valem muito mais que 10 mil curtidas na foto ou 10k no perfil. PENSE! E LEIA sobre as mudanças e como fazer para melhorar a maneira como você utiliza a rede social. Nós é quem fazemos ela! Se ela está ruim para você é porque algo de errado você está fazendo. Então, não dá para colocar a culpa no Instagram. Se você está preocupado apenas com números, sinto te dizer que você já está na rede social errada porque marcas inteligentes não fecham negócio com criadores por números, mas pelo conteúdo relevante que eles produzem. Independente se ele tiver 1 milhão, 100 k ou mil seguidores! O pensamento visando apenas o número de seguidores que uma pessoa tem é muito burro! Parece até coisa de escola onde nossa inteligência é medida pelas notas.

Hoje  acredito que nasci para trabalhar com criação porque não sei como viver sem ela. Para mim não faz sentido algum viver sem estar criando, e isso vai muito além de dinheiro. Nunca, e isso posso falar de todo meu coração, nunca comecei algo pensando em dinheiro e muito menos que ganharia dinheiro (será que isso explica muito, meu Deus? hahahaha). Não comecei uma marca de roupas por dinheiro, mas porque eu quis muito me expressar através das roupas. É incrível pensar na criação de uma peça e ver uma pessoa vestida, ver uma pessoa andando na rua com algo que você criou! Gente, é maravilhoso!!! É uma sensação que dinheiro nenhum paga, e esse sentimento é compartilhado com tantos outros artistas… o dinheiro, o público ele é uma consequência de toda uma trajetória, de toda uma história, persistência e insistência, ele é parte do seu percurso, mas não é o que nos move enquanto criamos. Criamos porque temos necessidade de nos expressarmos. Simples. Querer viver da sua criação é uma batalha diária e essa batalha não pode ser vencida porque hoje você não teve um número suficiente de likes, porque não tem uma quantidade x de seguidores ou porque você não faz amigos de verdade na internet (na maioria das vezes as relações são profissionais e você precisa dar algo em troca, assim como elas precisam te dar algo em troca também), mas isso não quer dizer que você não faça amigos de verdade, eu mesma conheci meu noivo no Orkut e são 10 anos de história juntos!  É muito bobo, muito pequeno, e, desculpe novamente a palavra, mas um pensamento muito burro pensar que números são tão mais fortes do que somos capazes de construir. Porque aquilo que construímos pode ser nosso propósito de vida, pra sempre. Assim como você tem o direito de não querer mais continuar algo na sua vida, o Mark tem todo o direito de chegar um dia na empresa e dizer: “hoje vou acabar com o Instagram!” e ninguém aqui vai poder fazer nada para mudar isso.

O Instagram não está ruim, o que está ruim é a maneira como estamos nos relacionando com ele e toda essa paranóia criada sobre likes x números. O Instagram não está aqui para massagear o ego de ninguém. Ele está aqui para você ter mais um lugar onde pode mostrar todo seu potencial criativo. Talvez o teu engajamento caiu (e o meu também) porque só vai permanecer na rede quem tiver algo realmente relevante para nos mostrar, e não caçadores de likes. O Instagram não está preocupado com a nossa vida, com quantos seguidores nós temos, quantos likes na foto… o negócio é: qual a sua mensagem? O que você tá produzindo de relevante para a rede social e seu público alvo? É isso que importa! Eu acredito que ele tem grandes chances de se tornar apenas um lugar de pessoas talentosas e inteligentes o suficiente para não se importar com quantos likes tiveram na sua foto.

Seu trabalho e suas ideias são muito maiores que um Instagram.
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